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Manaus chega a 6,4 no Ideb: como uma das maiores redes municipais do Brasil está avançando na aprendizagem

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Manaus chega a 6,4 no Ideb: como uma das maiores redes municipais do Brasil está avançando na aprendizagem

Capital amazonense passou de 6,2 para 6,4 nos anos iniciais e de 5,2 para 5,3 nos anos finais entre 2023 e 2025. O resultado ganha outra dimensão quando se considera a escala da rede: mais de 34 mil estudantes participaram do Saeb. Avaliação diagnóstica, alfabetização, acompanhamento e formação profissional aparecem na estrutura educacional municipal mas compreender o avanço exige descobrir como essas ações chegam às salas de aula.

Uma cidade com mais de dois milhões de habitantes produz um problema educacional muito diferente daquele enfrentado por uma pequena rede municipal.

Mais escolas.

Mais professores.

Mais estudantes.

Mais territórios.

Mais níveis administrativos entre a Secretaria de Educação e a sala de aula.

É exatamente por isso que os resultados de Manaus no Ideb 2025 merecem atenção.

A rede municipal alcançou 6,4 nos anos iniciais do ensino fundamental, ante 6,2 em 2023. Nos anos finais, passou de 5,2 para 5,3.

Segundo o IBGE, Manaus tinha população estimada em 2.303.732 habitantes em 2025.

Isso muda a pergunta.

O interesse não está apenas em saber que a cidade alcançou 6,4.

Está em compreender:

como uma rede dessa dimensão consegue fazer políticas de aprendizagem chegarem a centenas de escolas e milhares de professores?

O Amazonas também avançou

Manaus não está isolada de seu contexto estadual.

Entre 2023 e 2025, o Ideb do Amazonas passou de 5,7 para 6,0 nos anos iniciais e de 4,8 para 4,9 nos anos finais, considerando todas as redes.

Quando observada somente a rede pública, os anos iniciais passaram de 5,6 para 5,9; os anos finais, de 4,7 para 4,8. Segundo o Inep, foram os maiores valores da série histórica do estado.

Manaus chegou a 6,4.

O município, portanto, está acima do agregado estadual nos anos iniciais.

Mas transformar essa diferença em conhecimento exige abrir o indicador.

Ideb não é simplesmente uma prova

Uma distinção continua fundamental nesta série do Pauta Municipal Brasil.

O Ideb combina duas dimensões.

De um lado, está o desempenho dos estudantes no Saeb, principalmente em Língua Portuguesa e Matemática.

Do outro, estão os dados de rendimento escolar, especialmente as taxas de aprovação.

Isso significa que dizer que Manaus alcançou 6,4 não explica, sozinho, quanto os estudantes aprenderam.

É necessário perguntar:

Quanto avançou Matemática?

Quanto avançou Língua Portuguesa?

Como evoluiu o fluxo escolar?

Quais escolas avançaram mais?

Quais permaneceram estáveis?

Quais estudantes continuam apresentando dificuldades?

A nota final é a síntese.

A gestão precisa compreender os componentes.

A escala de Manaus torna o resultado especialmente interessante

Em 2025, 34.690 estudantes da rede municipal participaram do Saeb, sendo 21.861 do 5º ano e 12.829 do 9º ano. A avaliação alcançou unidades escolares distribuídas pelas diferentes zonas da cidade.

Isso diferencia Manaus de muitos municípios que aparecem com Idebs muito elevados.

Em redes pequenas, algumas dezenas de estudantes podem ter peso importante sobre o indicador.

Em Manaus, estamos falando de dezenas de milhares de alunos.

Por isso, o problema central deixa de ser apenas conseguir uma boa prática em determinada escola.

É conseguir escala.

Uma política municipal só consegue produzir mudança ampla quando deixa de depender de iniciativas individuais e começa a funcionar como sistema.

E há escolas que mostram o tamanho das diferenças dentro da própria rede

A média municipal de 6,4 também esconde desempenhos muito superiores.

A Escola Municipal José Carlos Martins Mestrinho alcançou Ideb 9,0 nos anos iniciais em 2025. Em 2023, havia registrado 8,6.

A Escola Professor Ricardo Pereira Parente chegou a 8,4, e a Waldir Garcia, a 8,3.

Isso abre uma pauta mais interessante do que simplesmente anunciar a média da cidade.

Por que algumas escolas chegam a 9,0 enquanto a rede está em 6,4?

O que essas unidades fazem?

Há diferenças de público?

Gestão?

Formação?

Rotinas pedagógicas?

Acompanhamento?

Currículo?

E, principalmente:

as práticas das escolas de maior resultado conseguem circular para o restante da rede?

Esse talvez seja um dos principais desafios de uma Secretaria de Educação de grande escala.

Uma boa escola é um case. Muitas boas escolas precisam virar capacidade da rede

Há uma diferença importante entre ter excelência localizada e construir excelência sistêmica.

Uma escola pode possuir liderança excepcional.

Um grupo de professores experiente.

Uma cultura pedagógica consolidada.

Isso pode produzir resultado.

Mas uma política municipal precisa conseguir reduzir a dependência desses fatores individuais.

O conhecimento precisa circular.

A experiência precisa ser documentada.

Professores precisam aprender uns com os outros.

Gestores precisam identificar o que pode ser transferido — e o que depende de características específicas daquela escola.

A questão para Manaus não é apenas:

“como a José Carlos Martins Mestrinho chegou a 9?”

É:

“o que a rede consegue aprender com escolas que apresentam resultados muito superiores à média?”

Há uma estrutura municipal de avaliação bastante ampla

Os documentos da Secretaria Municipal de Educação mostram que avaliação possui presença importante na organização da rede.

No Plano Setorial de 2025, a Divisão de Avaliação e Monitoramento registrou 98,8% de participação na Avaliação Diagnóstica, com disponibilização de 100% dos resultados. Também foram registrados 95,8% de participação na Avaliação de Desempenho do Estudante e 92,6% de participação em oficinas de desenvolvimento voltadas à avaliação educacional.

Os números mostram uma infraestrutura de avaliação.

Mas infraestrutura não é sinônimo automático de aprendizagem.

O ponto decisivo é saber:

o que acontece depois que o resultado aparece?

Avaliar é relativamente fácil. Transformar dados em intervenção é mais difícil

Redes educacionais produzem cada vez mais dados.

Relatórios.

Dashboards.

Planilhas.

Avaliações diagnósticas.

Simulados.

O risco é produzir informação que nunca chega à prática pedagógica.

O ciclo que realmente interessa seria:

avaliar → identificar a dificuldade → planejar intervenção → apoiar o professor → acompanhar → reavaliar.

É esse circuito que precisamos investigar em Manaus.

Uma avaliação diagnóstica só ganha valor quando modifica alguma decisão.

Quem precisa de mais apoio?

Que habilidade precisa ser retomada?

Que professor necessita de formação específica?

Que turma exige acompanhamento diferente?

Sem essa passagem, o dado continua sendo apenas dado.

A alfabetização aparece como uma política própria

Em março de 2025, Manaus iniciou avaliação de entrada do programa Alfabetiza Manaus, que atendia 5.241 estudantes do 3º ao 9º ano com objetivo de consolidar a alfabetização de alunos que ainda apresentavam dificuldades.

O programa também previa apoio contínuo a professores e gestores escolares.

Há aqui um ponto relevante.

Uma política de alfabetização voltada somente ao 1º e 2º ano assume que todos os estudantes conseguirão aprender no tempo previsto.

A realidade das redes é diferente.

Alguns chegam ao 3º, 4º, 5º ano e até aos anos finais carregando dificuldades de leitura e escrita.

Manaus criou uma estratégia especificamente voltada a esse problema.

Isso merece investigação.

Mais de 23 mil crianças também foram avaliadas no ciclo inicial

Em agosto de 2025, mais de 23 mil estudantes do 1º e 2º anos, distribuídos em 348 unidades e 948 turmas, participaram da Avaliação Municipal de Alfabetização.

O dado mostra novamente a dimensão da operação.

Avaliar 23 mil crianças é um esforço logístico relevante.

Mas a pergunta pedagógica continua sendo a mesma:

o que a rede faz quando identifica uma criança que ainda não está alfabetizada?

O resultado chega ao professor?

Há intervenção individual?

Reagrupamento temporário?

Material específico?

Apoio de coordenação?

Formação?

Nova avaliação?

São essas decisões que transformam uma avaliação de alfabetização em política de aprendizagem.

O resultado do 5º ano começa no 1º ano

Esse ponto precisa ser destacado.

O estudante que fez o Saeb no 5º ano em 2025 não começou sua trajetória naquele ano.

Aprendeu ou deixou de aprender durante vários anos anteriores.

Leitura.

Escrita.

Sistema de numeração.

Operações.

Resolução de problemas.

Compreensão de textos.

Por isso, redes que concentram sua mobilização somente no ano do Saeb tendem a chegar tarde.

O Ideb do 5º ano começa no processo de alfabetização.

Em setembro de 2025, Manaus realizou ainda uma Semana da Alfabetização envolvendo mais de 47 mil estudantes do 1º e 2º anos em 310 escolas.

Novamente, a existência dessas ações é um fato.

A contribuição delas para o Ideb precisa ser demonstrada, não presumida.

Existe um risco que o Pauta precisa discutir: avaliação ou treinamento?

Essa é uma pergunta importante porque documentos municipais mostram que parte do planejamento pedagógico de 2025 estava orientada ao Saeb.

Na preparação da Jornada Pedagógica, por exemplo, gestores e equipes discutiram estratégias relacionadas à avaliação nacional.

Isso não é necessariamente inadequado.

Uma rede precisa compreender os indicadores pelos quais sua aprendizagem é acompanhada.

Mas existe uma linha importante.

Uma coisa é:

usar o Saeb para identificar o que os estudantes precisam aprender melhor.

Outra é:

transformar a preparação para o Saeb no próprio currículo.

A primeira lógica utiliza avaliação como evidência.

A segunda corre o risco de transformar avaliação em finalidade.

Uma reportagem séria deveria investigar como Manaus equilibra essas duas dimensões.

Matemática precisa aparecer separadamente

O Ideb esconde Matemática dentro de uma média.

Mas a Matemática merece análise própria.

No Amazonas, o Inep registrou avanço da aprendizagem em 2025 tanto em Língua Portuguesa quanto em Matemática no ensino fundamental.

Para Manaus, precisamos ir além.

Quanto a proficiência matemática cresceu?

Quais habilidades continuam frágeis?

Como estão números e operações?

Grandezas?

Geometria?

Resolução de problemas?

Como os resultados das avaliações municipais de Matemática chegam aos professores?

Esse deveria ser um conteúdo próprio do Pauta:

“A Matemática por trás do Ideb 6,4 de Manaus”.

Formação profissional é outra peça que precisa ser investigada

O planejamento municipal para 2025 – 2028 inclui ampliação de ações de desenvolvimento docente, com meta de milhares de atendimentos formativos até 2028.

Mas formação continuada, sozinha, não explica resultados.

A questão não é quantas pessoas participaram.

É:

a formação responde aos problemas de aprendizagem encontrados nas escolas?

Se avaliações mostram uma dificuldade recorrente em Matemática, isso chega à formação?

Se uma escola apresenta resultados inferiores, seus professores recebem apoio diferenciado?

Se uma escola apresenta resultados muito elevados, suas práticas são estudadas?

A formação deixa de ser calendário quando começa a funcionar como resposta a evidências.

Manaus oferece um case que os pequenos municípios não oferecem: gestão em escala

Esse talvez seja o principal diferencial da cidade para esta série do Pauta.

Manaus possui cerca de 2,3 milhões de habitantes e uma das maiores redes municipais de ensino do país.

Isso significa que boas práticas precisam atravessar uma organização complexa.

Secretaria.

Divisões Distritais Zonais.

Diretores.

Coordenadores.

Professores.

Escolas urbanas e rurais.

Uma orientação criada no nível central pode passar por várias camadas antes de chegar ao estudante.

Por isso, o verdadeiro desafio é governança pedagógica.

Como garantir que a estratégia decidida pela Secretaria seja compreendida, adaptada e executada dentro de centenas de escolas?

Quanto maior a rede, maior o risco de a média esconder desigualdades

Existe ainda outra questão.

Uma média municipal de 6,4 pode reunir escolas com 9,0 e outras com resultados muito inferiores.

Isso significa que o problema seguinte talvez não seja apenas elevar a média.

É reduzir a distância interna.

A escola em determinada região da cidade oferece as mesmas oportunidades de aprendizagem que outra?

A formação chega da mesma forma?

Há rotatividade docente diferente?

As condições sociais interferem?

Quais escolas conseguem resultados elevados mesmo atendendo estudantes em maior vulnerabilidade?

Essas perguntas podem produzir uma leitura muito mais útil do que o ranking municipal.

O melhor resultado do estado não significa problema resolvido

O Amazonas alcançou em 2025 seus maiores valores históricos do Ideb, mas ainda possui desafios importantes em diferentes etapas.

O próprio desempenho de Manaus exige leitura equilibrada.

6,4 nos anos iniciais representa avanço.

Mas a cidade não deve ser tratada como modelo acabado.

Nem o Ideb mede sozinho toda a qualidade educacional.

Ele não captura integralmente Ciências, Artes, inclusão, clima escolar, desenvolvimento integral, condições de trabalho, infraestrutura ou todas as desigualdades existentes dentro da rede.

A nota é uma evidência.

Não é uma definição completa da educação municipal.

O dado encontrou Manaus. Agora começa a investigação

O Ideb já respondeu uma pergunta.

Manaus alcançou 6,4 nos anos iniciais e 5,3 nos anos finais em 2025.

Agora precisamos descobrir aquilo que os números não mostram.

Como funciona a avaliação diagnóstica?

Como os dados chegam ao professor?

Como estudantes ainda não alfabetizados são acompanhados?

Como se ensina Matemática?

Como a Secretaria aprende com as escolas que atingem 8 e 9?

Como as práticas circulam entre as Divisões Distritais Zonais?

O que distingue as escolas que avançam das que permanecem estagnadas?

E quais políticas estavam suficientemente consolidadas antes de 2025 para merecer investigação como possíveis componentes do resultado?

É aí que começa o case.

De uma boa nota para uma rede que aprende

Manaus oferece uma história diferente das pequenas redes que frequentemente lideram o Ideb.

O desafio aqui é menos sobre proximidade individual e mais sobre capacidade sistêmica.

Avaliar milhares.

Formar milhares.

Acompanhar centenas de escolas.

Detectar desigualdades.

Identificar estudantes.

Fazer informação circular.

Transformar resultados em intervenção.

E conseguir que decisões tomadas no centro da administração produzam alguma diferença no cotidiano da sala de aula.

Esse é um problema de gestão educacional em grande escala.

E pode interessar diretamente a outras capitais e grandes municípios brasileiros.

O Ideb responde:

onde Manaus chegou?

6,4.

O Pauta Municipal Brasil precisa responder outra pergunta:

como uma das maiores redes municipais brasileiras organiza avaliação, alfabetização, formação e acompanhamento para fazer a aprendizagem chegar a centenas de escolas e o que ainda precisa mudar para reduzir as diferenças dentro da própria rede?

Quando conseguimos responder isso, a notícia deixa de ser apenas a nota.

Passa a produzir inteligência para a gestão municipal.

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