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Como Deputado Irapuan Pinheiro chegou ao maior Ideb do Brasil no Fundamental II

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Como Deputado Irapuan Pinheiro chegou ao maior Ideb do Brasil no Fundamental II

Município cearense avançou de 5,1 para 9,3 em oito anos com avaliação trimestral, tempo integral, reforço escolar, formação docente, participação das famílias e articulação entre Educação, Saúde e Assistência Social

Deputado Irapuan Pinheiro, no Sertão Central do Ceará, alcançou o maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país nos anos finais do ensino fundamental em 2025. A rede municipal registrou 9,3 acima dos demais municípios brasileiros avaliados nessa etapa e distante do resultado nacional de 5,3.

O desempenho chama atenção porque o Fundamental II, que compreende do 6º ao 9º ano, permanece como uma das etapas mais desafiadoras da educação brasileira. A transição para vários professores, as defasagens acumuladas, a entrada na adolescência, o enfraquecimento do vínculo escolar e o aumento da reprovação e do abandono ajudam a explicar por que os resultados costumam avançar menos do que nos anos iniciais.

O caso de Deputado Irapuan Pinheiro não oferece uma fórmula pronta. Mas apresenta soluções concretas que merecem ser analisadas por prefeitos e secretários de Educação: diagnóstico frequente, intervenção pedagógica rápida, ampliação planejada da jornada escolar, formação continuada, acompanhamento individual e cooperação entre diferentes níveis de governo.

Um resultado construído ao longo de quatro avaliações

O município, que tinha população estimada em 9.173 habitantes em 2025, segundo o IBGE, não chegou ao resultado atual de maneira repentina.

A trajetória dos anos finais mostra crescimento em quatro edições consecutivas do Ideb:

Edição do IdebResultado nos anos finais
20175,1
20195,4
20217,0
20238,8
20259,3

Em oito anos, foram 4,2 pontos de avanço. A série reduz a possibilidade de interpretar o desempenho de 2025 como um episódio isolado, embora seja necessário acompanhar as próximas edições para verificar sua sustentabilidade.

O Ideb combina dois componentes: o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar. Portanto, não basta aprovar todos os alunos para alcançar uma nota elevada; é necessário que eles também demonstrem aprendizagem na avaliação externa.

Por que o Fundamental II é um desafio nacional

Os anos finais coincidem com profundas mudanças cognitivas, emocionais e sociais. O estudante deixa uma organização escolar geralmente concentrada em um professor de referência e passa a conviver com diferentes componentes curriculares, docentes, metodologias e formas de avaliação.

O próprio Ministério da Educação reconhece como desafios dessa etapa a transição entre os anos iniciais e finais, as desigualdades de aprendizagem, a formação docente, a organização das matrículas e a necessidade de compreender melhor as características das adolescências. Os indicadores de reprovação e abandono também aumentam especialmente nos momentos de transição escolar.

Em 2023, 19,3% dos estudantes dos anos finais da rede pública brasileira apresentavam dois ou mais anos de atraso escolar, percentual superior aos 8,2% observados nos anos iniciais. A distorção idade-série não é apenas uma estatística: frequentemente resulta de uma sequência de dificuldades de aprendizagem, reprovações e risco de abandono.

Deputado Irapuan Pinheiro parece ter enfrentado esse problema tratando o Fundamental II como uma etapa com identidade própria e não simplesmente como uma continuação automática dos primeiros anos.

Avaliação própria para agir antes do Saeb

Uma das principais iniciativas municipais é o Sistema Irapuense de Avaliação Permanente da Educação (Siape). As provas são aplicadas trimestralmente aos estudantes do 1º ao 9º ano.

A finalidade declarada é identificar as habilidades ainda não consolidadas em cada turma e permitir intervenções durante o ano letivo. Frequência, notas escolares, aprovação e resultados do Siape são analisados conjuntamente, evitando que uma única prova seja usada como diagnóstico completo do estudante.

Essa prática responde a um erro recorrente na gestão educacional: descobrir a dificuldade apenas depois da avaliação externa. Saeb e Ideb devem funcionar como instrumentos de verificação sistêmica, não como o primeiro momento em que a secretaria percebe que parte dos estudantes não aprendeu.

O aspecto mais replicável do Siape não é necessariamente criar uma nova prova, mas estabelecer um ciclo de gestão:

avaliar → identificar habilidades críticas → planejar intervenções → oferecer apoio → reavaliar.

Para funcionar, os resultados precisam chegar rapidamente às escolas, ser apresentados por habilidade, turma e estudante e produzir mudanças no planejamento. Avaliação sem devolutiva pedagógica vira apenas uma fotografia bem impressa do problema.

Tempo integral implantado gradualmente

Todas as escolas municipais funcionam atualmente em tempo integral. A universalização, entretanto, não ocorreu de uma só vez. Segundo a administração municipal, a implantação começou pelas turmas de 2º, 5º e 9º anos, consideradas estratégicas por encerrarem ciclos ou participarem de avaliações externas. Depois, foram incorporados, sucessivamente, o 8º, o 7º e o 6º ano.

A expansão gradual permitiu ajustar espaços, equipes, alimentação e organização curricular. No contraturno, os estudantes participam de reforço escolar e atividades de computação. A rede também investiu na climatização das salas uma condição relevante em um município do semiárido e precisou ampliar sua infraestrutura à medida que o tempo integral avançou.

A experiência traz uma advertência importante: tempo integral não pode significar apenas manter o adolescente por mais algumas horas na mesma rotina. O ganho depende da intencionalidade pedagógica, da integração entre turnos, do atendimento às defasagens e da oferta de experiências que façam sentido para essa faixa etária.

Acompanhamento do estudante dentro e fora da escola

Outro componente é o acompanhamento descentralizado das escolas e dos estudantes. As equipes municipais observam resultados de aprendizagem, frequência e práticas pedagógicas, mas também procuram identificar fatores familiares, comportamentais, sociais e de saúde que possam comprometer a permanência.

A Secretaria de Educação estabeleceu articulação com as áreas municipais de Saúde e Assistência Social. Quando aparecem problemas relacionados ao atendimento médico, à vulnerabilidade socioeconômica ou ao acesso a benefícios sociais, outras áreas da prefeitura são acionadas.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os anos finais terminaram 2025 sem reprovação nem evasão. Trata-se de informação declarada pela gestão e que deve ser acompanhada nos dados consolidados do Censo Escolar. Ainda assim, a estratégia intersetorial é consistente com uma conclusão já consolidada nas políticas de enfrentamento à exclusão: muitas barreiras que afastam o adolescente da escola não podem ser resolvidas exclusivamente pelo professor.

Formação docente e cooperação com o Governo do Ceará

O resultado municipal precisa ser compreendido dentro do regime de colaboração educacional construído no Ceará. Deputado Irapuan Pinheiro participa do Programa Aprendizagem na Idade Certa, atualmente denominado PAIC Integral, e mantém cooperação técnica com a Secretaria da Educação do Estado para a formação dos profissionais.

O programa estadual foi ampliado para o 6º ao 9º ano com objetivos específicos: melhorar a gestão e o acompanhamento pedagógico, elevar a aprendizagem, estimular a leitura e reduzir abandono, evasão e distorção idade-série.

A Secretaria da Educação do Ceará estrutura materiais e formações, enquanto as Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação e os formadores municipais adaptam o trabalho às redes locais. Nos anos finais, são oferecidos ciclos formativos para professores de língua portuguesa, matemática, ciências da natureza, ciências humanas, literatura e computação, além de formação em gestão.

Isso ajuda a explicar por que o caso não deve ser apresentado como obra solitária de uma prefeitura. Existe uma combinação entre liderança municipal, capacidade das escolas e política estadual de cooperação.

Escola, família e mobilização acadêmica

As escolas realizam reuniões bimestrais com os responsáveis e procuram manter acompanhamento contínuo da vida escolar. Para adolescentes, essa aproximação é especialmente relevante: a autonomia crescente do estudante não deve ser confundida com afastamento da família.

A rede também incorporou olimpíadas de matemática, língua portuguesa, história e inglês ao calendário. Em 2025, estudantes da Escola Municipal em Tempo Integral Francisca Josué de Souza Carneiro chegaram à final da LigaMat, em Curitiba. A unidade obteve Ideb 9,4 e aparece entre as escolas brasileiras de maior desempenho nos anos finais.

Olimpíadas não substituem o currículo, mas podem ampliar repertório, criar desafios intelectuais e fortalecer uma cultura escolar que valoriza o conhecimento.

Incentivos: uma estratégia que exige cuidados

O município instituiu, pela Lei Municipal nº 673/2025, o prêmio “Sou Nota 10”, destinado a reconhecer estudantes com melhores resultados no Siape. A administração informou que notebooks são entregues aos 40 estudantes mais bem classificados e que servidores das escolas podem receber incentivo financeiro associado ao desempenho.

A existência da política e da aquisição dos equipamentos está registrada no Portal de Licitações do Tribunal de Contas do Estado do Ceará.

Essa iniciativa não deve ser copiada mecanicamente. Premiações baseadas apenas nos melhores resultados absolutos podem favorecer quem já parte de condições mais vantajosas. Um desenho responsável deve considerar também evolução individual, assiduidade, superação de dificuldades, trabalho coletivo, inclusão e redução das desigualdades.

O incentivo pode complementar uma política educacional, mas não substituir salário adequado, condições de trabalho, formação continuada e apoio pedagógico.

As principais parcerias do município

Parceiro ou áreaContribuição identificada
Secretaria da Educação do CearáCooperação técnica, formação docente, materiais, avaliação e acompanhamento por meio do PAIC Integral
Crede 14 – Senador PompeuArticulação regional entre a política estadual e a Secretaria Municipal de Educação
Secretaria Municipal de SaúdeAtendimento a questões de saúde que interferem na frequência e na aprendizagem
Assistência SocialAcompanhamento de vulnerabilidades familiares e acesso a benefícios e serviços
Governo FederalApoio à expansão de infraestrutura por meio de convênios e do Programa de Aceleração do Crescimento
Governo do CearáApoio à infraestrutura educacional e implantação de centros de educação infantil
FamíliasParticipação em reuniões, acompanhamento da frequência e mobilização pela aprendizagem

Os convênios de infraestrutura com o Governo Federal e o Governo do Ceará ampliam a capacidade física da rede, enquanto a parceria pedagógica estadual atua diretamente sobre formação, currículo, materiais e avaliação.

O que Deputado Irapuan Pinheiro ensina aos demais municípios

A experiência sugere pelo menos oito decisões que podem ser adaptadas:

  1. Instituir avaliações diagnósticas periódicas, com devolutiva rápida às escolas.
  2. Acompanhar cada estudante, e não apenas a média da turma.
  3. Planejar intervenções específicas para as habilidades não consolidadas.
  4. Implantar o tempo integral de maneira gradual e financeiramente sustentável.
  5. Utilizar a jornada ampliada para reforço, tecnologia, leitura, esporte, cultura e projetos.
  6. Organizar formação continuada por componente curricular e dificuldade real de aprendizagem.
  7. Integrar Educação, Saúde e Assistência Social para prevenir abandono.
  8. Estabelecer metas de aprendizagem acompanhadas de indicadores de equidade e permanência.

Municípios que ainda não possuem uma política específica para o Fundamental II também podem utilizar os recursos e materiais do Programa Escola das Adolescências, do MEC. A iniciativa oferece apoio técnico e financeiro, instrumentos para diagnóstico, formação de equipes, reagrupamento de estudantes com defasagens e orientações para reorganização curricular. A adesão dos entes federativos é voluntária.

Para replicar com responsabilidade

Deputado Irapuan Pinheiro é um município pequeno, com rede mais compacta e condições de acompanhamento diferentes das encontradas em capitais e cidades de grande porte. Essa característica não diminui o resultado, mas limita comparações diretas.

Também não há, até o momento, uma avaliação de impacto que permita atribuir isoladamente o Ideb 9,3 ao Siape, ao tempo integral, às premiações ou a qualquer outra medida. O mais plausível é que o desempenho resulte da combinação entre continuidade, acompanhamento, formação, infraestrutura, cooperação estadual, mobilização das famílias e intervenção precoce.

Os próximos passos da rede devem incluir a divulgação transparente dos resultados por escola, componente curricular e grupo de estudantes; o acompanhamento da equidade; a verificação da participação no Saeb; e a demonstração de que a aprendizagem permanece elevada para além das turmas avaliadas.

O maior aprendizado oferecido pelo município não está apenas na nota. Está na decisão de não tratar os anos finais como uma etapa esquecida entre a alfabetização e o ensino médio. Deputado Irapuan Pinheiro colocou o adolescente no centro da política educacional, transformou avaliação em ação e articulou escola, família e poder público.

Para milhares de municípios que ainda veem o Fundamental II como um problema difícil demais, o caso cearense deixa uma mensagem prática: o gargalo pode ser enfrentado, desde que seja diagnosticado estudante por estudante, acompanhado durante todo o ano e assumido como responsabilidade de toda a gestão municipal.

Fontes consultadas

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