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Indaiatuba mostra como uma cidade de 270 mil habitantes pode transformar gestão educacional em resultado

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Indaiatuba mostra como uma cidade de 270 mil habitantes pode transformar gestão educacional em resultado

7ª colocada em Qualidade da Educação no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2025 e, depois, 4ª do Brasil no Ideb entre cidades com mais de 200 mil habitantes, Indaiatuba combina avaliação contínua, formação de professores, currículo estruturado, tecnologia e acompanhamento da aprendizagem. O interesse para outros municípios está menos no ranking isolado e mais na arquitetura de gestão que sustenta os resultados.

Indaiatuba, no interior de São Paulo, oferece um caso que merece atenção das redes municipais brasileiras, especialmente das cidades de médio e grande porte. Com população estimada pelo IBGE em 269.657 habitantes em 2025, o município precisa administrar uma rede educacional em escala considerável sem perder a capacidade de acompanhar o que acontece dentro das escolas.

No Ranking de Competitividade dos Municípios de 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), Indaiatuba ficou em 11º lugar na classificação geral nacional, entre 418 municípios com mais de 80 mil habitantes, depois de avançar oito posições em relação à edição anterior. No pilar Qualidade da Educação, chegou ao 7º lugar do Brasil, seis posições acima do resultado anterior.

O dado, por si só, já justificaria investigar a cidade. Mas o que transforma Indaiatuba em uma experiência especialmente relevante é que outros indicadores começaram a apontar na mesma direção.

O Ideb 2025, divulgado pelo Inep em agosto de 2026, registrou 7,5 para a rede municipal, ante 7,3 em 2023. Entre os municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes, Indaiatuba ficou em 4º lugar no país e em 1º no Estado de São Paulo, considerando a rede municipal.

Isso significa que não estamos diante apenas de uma boa posição circunstancial em um ranking. Há sinais convergentes de desempenho que justificam perguntar: o que Indaiatuba está fazendo que pode ser aprendido e adaptado por outras redes?

O primeiro cuidado: entender o que o ranking realmente mede

É importante evitar uma leitura simplista da 7ª colocação. O Ranking de Competitividade do CLP não mede apenas a rede administrada pela prefeitura.

Em 2025, o pilar Qualidade da Educação correspondia a 5,1% da nota global e reunia quatro indicadores: Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental, Ideb dos anos finais, Ideb do ensino médio e desempenho no Enem.

Aqui existe uma distinção importante. A Prefeitura de Indaiatuba é responsável diretamente pela creche, pré-escola, ensino fundamental do 1º ao 5º ano e Educação de Jovens e Adultos; a partir do 6º ano, a responsabilidade predominante passa para a rede estadual.

Portanto, seria metodologicamente incorreto atribuir toda a 7ª posição do CLP exclusivamente à Secretaria Municipal de Educação.

É justamente por isso que o Ideb da própria rede municipal é uma evidência particularmente importante.

Ideb: de 6,7 para 7,5 em quatro anos

A trajetória recente ajuda a dimensionar o resultado.

Em 2021, o Ideb da rede municipal nos anos iniciais estava em 6,7. Em 2023 chegou a 7,3. Em 2025 alcançou 7,5.

A evolução pode ser resumida assim:

AnoIdeb da rede municipal
20216,7
20237,3
20257,5

O contexto torna o número mais expressivo. Em 2025, o Ideb dos anos iniciais da rede pública brasileira foi de 6,1; no conjunto da rede pública paulista, chegou a 6,5.

Não se trata de transformar essas diferenças em uma competição artificial. O porte das redes, as condições socioeconômicas e os contextos territoriais são distintos. Mas a comparação mostra que Indaiatuba opera hoje em um patamar elevado de aprendizagem e fluxo escolar.

E há outra evidência relevante: no indicador de alfabetização referente a 2024, o município alcançou 62,82%, acima da meta local de 62,07% e da média nacional de 59,2%.

Em 2026, Indaiatuba também recebeu o Prêmio Excelência Educacional, do programa Alfabetiza Juntos SP, associado aos resultados de alfabetização medidos pelo Saresp.

Os indicadores começam, portanto, a formar uma cadeia coerente: alfabetização, avaliações municipais, Saresp, Saeb/Ideb e ranking de competitividade.

A primeira lição de Indaiatuba: avaliar antes da prova externa

Um dos aspectos mais interessantes do modelo é que a rede não parece esperar o Saeb para descobrir se o estudante aprendeu.

Em 2025, a Secretaria realizou avaliações periódicas de aprendizagem para estudantes do 1º ao 5º ano. A primeira aplicação envolveu cerca de 14.280 crianças de 28 escolas de ensino fundamental. Segundo a Secretaria, o objetivo era diagnosticar o nível de aprendizagem das turmas e utilizar as informações para orientar planejamento e intervenção pedagógica.

Ao longo do ano foram realizadas novas aplicações. Na terceira edição, a própria Secretaria definiu a avaliação como instrumento de monitoramento para identificar o que os estudantes aprenderam e o que ainda precisava ser trabalhado.

Isso parece simples, mas representa uma mudança importante de lógica.

Uma rede não melhora porque aplica mais provas. Melhora quando estabelece o ciclo:

ensinar → avaliar → identificar lacunas → intervir → reavaliar.

O instrumento de avaliação passa a ser útil quando produz decisão pedagógica.

Indaiatuba ainda dispõe do SAREMI – Sistema de Avaliação da Rede Municipal de Indaiatuba, criando uma camada municipal de acompanhamento anterior às avaliações estaduais e nacionais. Em 2024, o indicador municipal registrou resultado de 7,9 para os estudantes do 1º ao 5º ano.

Para outras secretarias, esta talvez seja uma das práticas mais diretamente replicáveis do caso.

Formação de professores conectada ao problema real

Outro elemento aparece repetidamente nas ações da rede: formação continuada.

Em 2025, uma parceria da Secretaria com a Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (Fiec) envolveu aproximadamente 726 professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental em programa de formação continuada. Entre os temas estavam alfabetização e fluência leitora. Mais de 500 Auxiliares de Desenvolvimento Educacional também participaram de ações voltadas à inclusão, diversidade e práticas pedagógicas acessíveis.

Há uma diferença decisiva entre oferecer cursos e possuir uma política de desenvolvimento profissional.

A formação produz maior potencial de impacto quando nasce das necessidades observadas nas escolas e retorna para a sala de aula.

É exatamente nesse ponto que avaliação e formação devem conversar. Se a avaliação mostra dificuldade persistente em determinada habilidade de Matemática, por exemplo, o problema deixa de ser apenas “do estudante”. Passa a ser informação para planejamento curricular, formação docente, acompanhamento pedagógico e gestão escolar.

Currículo, material didático e acompanhamento precisam falar a mesma língua

Indaiatuba utiliza há aproximadamente cinco anos o Sistema SESI-SP de Ensino. A parceria envolve material didático e apoio pedagógico e, segundo a Secretaria Municipal, integra ações de monitoramento, identificação de defasagens, reforço e trabalho orientado pelas habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Essa informação precisa ser tratada com a necessária independência editorial: não existe evidência que permita atribuir o Ideb de Indaiatuba a um único sistema de ensino ou fornecedor.

Resultados educacionais são multicausais.

O que interessa ao gestor municipal é a arquitetura que aparece por trás da parceria: currículo, material didático, formação, avaliação e acompanhamento precisam estar articulados.

Uma prefeitura que compra material sem formar professores provavelmente terá pouco resultado. Uma rede que avalia sem intervir também. E formação desconectada do currículo tende a virar apenas calendário de cursos.

O aprendizado de Indaiatuba está na integração das peças, não na adoção isolada de uma delas.

Tecnologia entrou no currículo, não ficou apenas no laboratório

Outro aspecto chama atenção.

A robótica educacional começou a ser ampliada em 2023 e, em 2024, já havia chegado às escolas municipais, atendendo estudantes do 3º ao 5º ano das unidades regulares e do 1º ao 5º ano nas unidades de período integral. O currículo municipal de Computação posteriormente formalizou essa trajetória e registrou conectividade e dispositivos móveis destinados ao uso pedagógico.

Em 2025, a rede realizou seu terceiro torneio de robótica, com 28 equipes. A chamada Caixa Maker alcançou 5.137 estudantes da pré-escola, acompanhada de oficinas de formação para professores.

Esse ponto também contém uma lição.

A discussão municipal não deveria ser “comprar ou não comprar tecnologia”. A pergunta correta é:

qual problema de aprendizagem esta tecnologia ajuda a resolver e como ela está integrada ao currículo?

Indaiatuba oferece elementos interessantes nessa direção.

Leitura não aparece como campanha isolada

O Projeto Ler Faz Bem envolveu em 2025 45 unidades escolares e mais de 20 mil estudantes, articulando leitura, escrita, expressão artística e produção digital.

Esse tipo de política é relevante porque aprendizagem leitora não deveria ficar restrita ao professor de determinada turma ou ao período imediatamente anterior à avaliação.

Redes com melhores resultados tendem a tratar alfabetização, fluência e compreensão de textos como responsabilidades institucionais.

E os dados de alfabetização de Indaiatuba sugerem que essa prioridade está produzindo resultados que merecem ser acompanhados ao longo dos próximos ciclos.

Infraestrutura também é política pedagógica

Em 2025, a rede contabilizava 84 unidades escolares e mais de 27 mil estudantes. No mesmo ano, houve instalação de mais de 500 climatizadores, intervenções em prédios escolares e conclusão de três novas unidades educacionais.

O ponto não é sugerir que climatização eleva automaticamente o Ideb.

É entender que condições adequadas de funcionamento compõem o ambiente no qual professores ensinam e alunos aprendem.

Política educacional não começa na avaliação externa e tampouco termina nela.

Até saúde ocular entrou na estratégia de permanência e aprendizagem

Um exemplo interessante de integração de políticas públicas é o projeto Boa Visão Boa Educação.

A primeira etapa resultou em mais de 500 óculos entregues a estudantes. Em 2026, uma nova fase passou a prever triagens em 29 escolas, com atendimento estimado a 8.578 estudantes, incluindo exames oftalmológicos e fornecimento de óculos quando necessário.

Pode parecer uma ação periférica diante do Ideb. Não é.

Uma criança que não enxerga adequadamente a lousa possui uma barreira objetiva para aprender. Redes educacionais de qualidade precisam identificar obstáculos à aprendizagem que ultrapassam o currículo.

A família também recebe os dados

A plataforma digital Minha Indaiatuba permite aos responsáveis acompanhar calendário, matrícula, rendimento escolar, notas e outras informações da vida acadêmica dos estudantes.

A tecnologia, nesse caso, cumpre função de governança: aproxima família, escola e informação.

Não substitui reuniões, professores ou acompanhamento presencial. Mas reduz uma dificuldade frequente das redes públicas: descobrir problemas apenas quando eles já se tornaram graves.

O que Indaiatuba ensina aos municípios

É tentador explicar bons resultados por uma ação visível: “foi a tecnologia”, “foi o material”, “foi a formação” ou “foi a avaliação”.

O caso de Indaiatuba sugere outra interpretação.

O diferencial está na combinação das políticas.

Há currículo; material estruturado; avaliação periódica; sistema municipal de avaliação; formação; reforço; acompanhamento; alfabetização; tecnologia; infraestrutura; inclusão; relacionamento com as famílias e monitoramento da aprendizagem.

Quando essas políticas deixam de funcionar como projetos independentes e passam a constituir um sistema, cresce a capacidade institucional da Secretaria de Educação.

É essa lógica, mais do que qualquer produto específico, que merece ser observada.

O que os municípios podem fazer na prática

Uma prefeitura não precisa reproduzir todos os programas de Indaiatuba. Precisa reproduzir o método de gestão: diagnosticar, priorizar, executar, medir e corrigir.

Um roteiro possível para outras redes seria:

  1. estabelecer uma linha de base por escola, ano e habilidade em Língua Portuguesa e Matemática;
  2. realizar avaliações diagnósticas e periódicas durante o ano, sem transformar a escola em treinamento para provas;
  3. criar protocolos de intervenção para alunos com defasagens identificadas;
  4. utilizar os resultados para definir a formação de professores e o trabalho da coordenação pedagógica;
  5. garantir alinhamento entre currículo, material didático, planejamento, formação e avaliação;
  6. acompanhar alfabetização aluno a aluno nos primeiros anos;
  7. produzir painéis por escola, evitando rankings públicos punitivos e usando os dados para apoio pedagógico;
  8. integrar educação, saúde e assistência quando barreiras externas estiverem prejudicando a aprendizagem;
  9. avaliar se tecnologia e novos projetos estão efetivamente relacionados a objetivos curriculares;
  10. apresentar periodicamente os resultados às escolas e à sociedade, incluindo avanços, desigualdades e pontos ainda não resolvidos.

O município que fizer apenas a primeira avaliação terá dados. O que completar o ciclo terá gestão da aprendizagem.

Há também pontos que Indaiatuba precisa continuar observando

Transformar um município em referência não significa tratá-lo como modelo perfeito.

O Ideb mede aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática combinada ao fluxo escolar. É um indicador fundamental, mas não mede sozinho inclusão, equidade, clima escolar, desenvolvimento socioemocional, qualidade da Educação Infantil ou todas as dimensões previstas na BNCC.

Além disso, a Secretaria Municipal responde diretamente apenas até o 5º ano. A qualidade educacional do território depende também da transição para os anos finais e ensino médio, sob responsabilidade estadual.

Esse é, inclusive, um dos próximos desafios estratégicos: evitar que uma criança que percorreu uma trajetória de alta aprendizagem nos anos iniciais perca esse ritmo ao avançar na escolarização.

Portanto, o próximo estágio para Indaiatuba não é apenas aumentar de 7,5 para algum número maior. É demonstrar que consegue sustentar aprendizagem elevada com equidade, reduzir diferenças entre escolas e grupos de estudantes e fortalecer a continuidade entre as redes municipal e estadual.

Um resultado de 2026 reforça que não se tratava apenas de um bom ano

Há um dado recente que fortalece essa análise.

Na edição 2026 do Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgada pelo CLP em agosto, Indaiatuba permaneceu entre as primeiras cidades brasileiras: ficou em 12º lugar no ranking nacional, 5º entre os municípios paulistas e elevou sua nota geral de 58,59 para 59,95 pontos. Qualidade da Educação continuou entre os pilares de destaque do município.

Ou seja: embora rankings devam ser interpretados com cautela, existe sinal de continuidade institucional.

E continuidade talvez seja uma das palavras mais importantes deste caso.

Para replicar com responsabilidade

Indaiatuba não deve ser copiada. Deve ser estudada.

Seu contexto econômico, arrecadação, estrutura administrativa, perfil populacional e trajetória educacional não são iguais aos de milhares de municípios brasileiros. Um município de 20 mil habitantes não deve simplesmente transportar para sua rede a estrutura de uma cidade de quase 270 mil.

Mas os princípios são transferíveis.

Avaliação precisa produzir intervenção. Formação precisa dialogar com dificuldade real de aprendizagem. Currículo, material e avaliação precisam estar alinhados. Tecnologia precisa ter propósito pedagógico. Infraestrutura importa. Alfabetização precisa ser acompanhada cedo. E resultado deve sobreviver à mudança de secretário, prefeito ou programa.

É isso que transforma uma iniciativa em política pública.

Considerando seu porte, a 7ª posição nacional em Qualidade da Educação no Ranking de Competitividade de 2025, o Ideb 7,5 e o 4º lugar entre cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, Indaiatuba reúne evidências suficientes para ser tratada como uma experiência de referência para municípios de médio e grande porte.

Não porque tenha descoberto uma fórmula secreta.

Mas porque está fazendo algo que ainda desafia muitas redes: transformar diversos instrumentos de política educacional em uma cadeia relativamente coerente de gestão da aprendizagem.

E essa talvez seja a principal pauta que Indaiatuba oferece ao restante do país.

Fontes consultadas

Foram consultados o Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, do Centro de Liderança Pública, incluindo metodologia e composição do pilar Qualidade da Educação; os resultados oficiais do Ideb 2025, do Inep; as informações demográficas do IBGE; documentos e informações da Secretaria Municipal de Educação e da Prefeitura de Indaiatuba; e informações institucionais sobre a parceria educacional com o SESI-SP.

Ranking de Competitividade dos Municípios CLP
Resultados do Ideb 2005 – 2025 Inep
Indaiatuba IBGE Cidades e Estados
Secretaria Municipal de Educação de Indaiatuba

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